Maiores Perigos

Ursos

Ursos e animais encontrados Em Glacier Bay, não há ursos polares, que todos associam quando pensam em Alaska. No sudeste do Alaska se encontram somente o urso marrom e o urso negro. Uma outra espécie, o urso azul, ou glacial, é raríssimo e poucas vezes fotografado ou capturado. Por ser uma região protegida, a caça é proibida. Como os ursos não tem predadores naturais, estão no topo da cadeia alimentar, confortavelmente não ameaçados. Os ursos em Glacier Bay não temem o homem, são extremamente curiosos, e territoriais. Pela topografia do local, formada por praias cercadas pela cadeia de montanhas costais mais alta do mundo, o Fairweather Range, o espaço para os ursos é limitado, o que torna conflitos mais comuns e perigosos. Um dos principais riscos da viagem era o confronto com o famoso Grizzly bear, (ursus horribilus), o urso marrom que tem cerca de 600 quilos, nada, sobe em árvores, corre a 60km por hora e chega a medir 3 metros quando esta de pé. A única certeza sobre o comportamento dos ursos é que são imprevisíveis. O cuidado era constante, desde não se afastar da equipe desacompanhado, não comer fora dos limites estabelecidos em cada acampamento, até não utilizar produtos com odores. Quando caminhávamos em trilhas de ursos, era importante emitir ruídos e sons que denunciassem nossa presença, para não surpreender um urso, o que geralmente causa um ataque. Atenção especial era dada a filhotes de urso, extremamente curiosos e frequentemente causadores de ataques pela fêmea, que visa diminuir o potencial de ameaça aos seus filhotes. Armas de fogo são proibidas no parque, então contávamos somente com Pepper Spray, um concentrado de pimenta a ser utilizado em caso de aproximação excessiva por um urso mais curioso. Marcas da presença dos ursos estavam em toda a parte. Árvores destruídas, fezes, e pegadas eram comuns. No segundo dia de acampamento, ao sair da barraca pela manhã, Toco Lenzi avistou (e foi avistado simultaneamente) um urso negro, a uma centena de metros de distância das nossas barracas. Curiosamente, o urso entrou no mar, contornou nosso acampamento nadando rapidamente a uma boa distância da costa, saiu do outro lado, entrou na mata e desapareceu. Alívio geral. Para fotografar os ursos com segurança, utilizamos lentes de até 800 milimetros. Enquanto remávamos, frequentemente avistamos focas, lobos marinhos, águias americanas, e inúmeras espécies de aves aquáticas. Os mosquitos eram vorazes.

Geleiras

O planeta é coberto por dez por cento de gelo, a mesma porcentagem utilizada pela agricultura. Geleiras e gelo polar contem mais água que todos os rios, lagos, e atmosfera terrestre combinados. As geleiras são formadas quando o acúmulo de neve é maior do que o seu derretimento. Os flocos de neve são comprimidos, virando granulos de gel. Estes, sob a força da gravidade viram gelo compacto. Este gelo, com seu próprio peso, desce em direção ao mar, e sob a ação da maré e da força da gravidade despenca espetacularmente sobre o mar. Assim são formados icebergs, que podem durar mais de uma semana. Icebergs eram um risco para nossos caiaques. Com noventa por cento de sua área submersa, podem rachar e virar a qualquer momento. As cores variam do branco (icebergs com bolhas de ar), azul (gelo mais denso), verde bem escuro (gelo da parte inferior da geleira), até icebergs quase negros (carregando pedras e terra do fundo da geleira). O risco para os caiaques é grande. Blocos de gelo do tamanho de prédios despencam a qualquer hora e inesperadamente, formando ondas que podem virar os caiaques e inundar áreas expostas. As marés transformam a paisagem diariamente, decorando com icebergs e gelo a costa recortada da baía.

Hipotermia

Caso algum caiaque virasse, o perigo de hipotermia era grande.