a x e   a l a s k a   e x p e d i t i o n

A Expedição AXE Alaska Expedition foi a décima aventura patrocinada pela marca de desodorantes AXE, dentro do (extinto) projeto AXE ADVENTURES. Eu (Ignácio) já havia fotografado duas expedições anteriores, de Off-road, patrocinadas pela empresa. Louise e eu procuramos desenvolver algo inédito dentro do projeto, que não tivesse sido feito antes. Escolhemos como transporte um veículo não motorizado, o caiaque oceânico. Depois, pesquisamos os melhores lugares no mundo para a prática do esporte, buscando diversidade, exotismo, e natureza intocada. Encontramos tudo isso e muito mais em Glacier Bay, no sudeste do Alaska.

 

Porque Caiaque?

O caiaque permite a aproximação silenciosa, (e não poluente) da vida animal, possibilitando imagens impossíveis de serem realizadas de outra embarcação. Além disso, permite navegar em pouquíssima profundidade, até 15cm, o que nos permitiu explorar cada recorte da costa, chegando a locais remotos e escondidos. Os caiaques utilizados foram caiaques oceânicos, com excelente capacidade de carga, estabilidade, e resistência. Inventados no Alaska, os caiaques são o transporte ideal para exploração. Com seu espaço de carga reduzido, obrigam o viajante a priorizar sua escolha de equipamentos cuidadosamente e oferece um ponto de vista de grande intimidade com o meio ambiente. Viajar de caiaque é interagir diretamente com a natureza. Em um local onde a paisagem muda mais rapidamente do que as cartas náuticas podem ser atualizadas, eramos surpreendidos diariamente pela rara beleza natural encontrada em Glacier Bay.

Roteiro:

São Paulo - San Francisco - Seattle - Juneau - Gustavus - Bartlett Cove- Seebree Island - East Arm -West Arm - Bartlett Cove - Gustavus - Juneau - Seattle - San Francisco - São Paulo

Chegar no Alaska é simples, chegar em Glacier Bay National Park é um pouco mais complicado. Saimos de São Paulo com destino a San Francisco, onde compramos toda a comida e equipamentos da expedição. De lá pegamos um vôo para Seattle, e outro para Juneau. Dormimos em Juneau uma noite, e pela manhã, pegamos o Auk Nu ferry para a cidade de Gustavus (pop. 400 habitantes). Em Gustavus nos deslocamos até Bartlett Cove, onde pegamos nossos caiaques, tivemos o briefing obrigatório (camping orientation), pegamos a tábua da maré, e acampamos. Um dia depois, e mais um barco, o Spirit of Adventure, que nos deixou em Sebree Island, na divisão entre o braço leste e oeste da baía. De lá remamos sozinhos por uma 14 dias, sem encontrar pessoa alguma nos primeiros sete dias remando. Este foi o periodo de maior isolamento da expedição, já que o braço Leste de Glacier Bay estava fechado para embarcações motorizadas no ano em que estivemos lá. É feito um rodízio para minimizar o impacto dos visitantes. Na segunda semana estivemos remando no braço Oeste, e encontramos navios de cruzeiro.

Comunicação e Navegação | Equipamento

A Expedição Axe Alaska Adventure contou com aparelhos de última geração, utilizando o telefone via satélite Inmarsat, o Nera Worldphone, que permitiu o envio de boletins ao vivo para a Rádio Eldorado FM de SP. Os rádios VHF permitiam o contato em caso de emergência com outras embarcações ou com a central do Parque Nacional de Glacier Bay e acesso a informações metereológicas. Para navegação, utilizamos uma carta náutica e mapas topográficos detalhados, assim como bússola e GPS, essencial em dias de baixa visiblilidade. Um item importatíssimo foi a tábua das marés, que utilizavamos a nosso favor, para diminuir o esforço de remar caiaques com mais de cem quilos de equipamentos, água e comida.

 

Vestuário | Equipamento

Os membros da expedição tinham basicamente duas roupas: uma para remar, e outra para trekking e acampamento. A utilizada para remar também era usada durante as refeições para evitar a contaminação das outras vestimentas por odores de alimentos e não atrair os ursos. Três camadas eram alternadas e combinadas para flexibilizar nossa proteção. A primeira, um underwear, composto por calça e camisa de material hidrofóbico, que não absorve água, nos aquecia e transferia a transpiração para a segunda camada, isolante, nos mantendo secos e livres do risco de hipotermia. A segunda camada, de polartec, uma fibra sintética, nos aquecia e preservava nosso comforto. Por fim, uma proteção com calça, jaqueta, e chapéu de goretex nos isolava do vento e da chuva constantes.

Cozinha / Alimentação / Higiene | Equipamento

O gasto calórico de até quatro mil calorias por dia, dispendido em esforço para remar, carregar os caiaques e equipamento, e manter-nos aquecidos criou necessidades especiais de alimentação. Acrescente-se a isto o problema dos ursos, e a alimentação rapidamente se torna um dos maiores desafios para um expedição bem sucedida ao Alaska. Para cozinhar, tinhamos que montar a "cozinha" a pelo menos quinhentos metros das barracas, para não permitir que os odores da comida atraíssem ursos para onde iamos dormir. Sempre estávamos conscientes da direção do vento para que este afastasse os odores do nosso acampamento. O urso marrom pode reconhecer odores 14 horas depois da nossa passagem, o que justifica todos os cuidados. As roupas que utilizavámos para comer, as mesmas para remar, eram guardadas junto com a comida ao fim do dia, para que não entrássemos nas barracas com odores que poderiam atrair ursos. A comida era guardada em bear proof canisters, tubos de pvc com uma tampa que precisa ser aberta com uma chave, impossibilitando que ursos pegassem nossos alimentos. Quando haviam árvores, suspendiamos a comida. Quando isto não era possível, colocavamos pedras sobre os canisters para dificultar a vida dos ursos. No café da manhã comiamos cereais, leite, e alimentos desidratados. Como remávamos durante praticamente todo o dia, nossa alimentação no caiaque era a base de frutas desidratadas, nuts, barras energéticas (Powerbar) e cereais em barra. A noite, o único prato de comida do dia, geralmente massas e alimentos com alto teor de carboidratos. Sopas quentes nos aqueciam antes de ir para a barraca, e para quebrar a monotonia as vezes fizemos pipoca. Toda a alimentação sempre era feita abaixo da linha da maré alta, o que permitia que o mar apagasse qualquer vestígio da nossa passagem, quando a maré subisse, eliminando os odores. Água potável era obtida de rios de degelo, e utilizamos filtros para purificá-la. A erosão causada pelas geleiras contaminava a água com muito sedimento, conhecido como rock flour, ou farinha de pedra na região, o que pode ser visto na mudança da coloração da água de verde para marrom quando nos aproximavamos das geleiras.

 

Ecologia

Sem traços da nossa passagem

Locais especiais, como Glacier Bay são patrimônio da humanidade (tombado pela UNESCO). Assim como outros locais do mundo cada vez mais visitados, há que se tomar cuidados especiais para evitar qualquer degradação ao meio ambiente. Para quem vive em São Paulo e é bombardeado por poluição visual, sonora, e do ar, visitar o Alaska se aproxima do paraíso. Com a tendência global de eco-turismo, cada vez mais santuários ecológicos estão ameaçados pelo homem. É imprescindível que todos tenham consciência de preservação e pratiquem camping com técnicas de minímo impacto. Quem vai ao Alaska se surpreende com a aparência intocada da paisagem. Onde estivemos, não haviam marcas da passagem humana. Nem uma placa, nem uma estrada, e absolutamente nem um sinal de lixo. A equipe teve cuidado extremo para preservar o local como encontrado sem deixar sinais de sua passagem. Pedras movimentadas foram recolocadas no lugar, e todo o lixo foi levado de volta conosco. Isto é importantíssimo, já que nas baixas temperaturas a degradação dos dejetos é ainda mais lenta do que o normal. Todas as refeições foram feitas abaixo da linha da maré alta, para que o mar se encarregasse de apagar nossos rastros.

 

OS MAIORES PERIGOS DA EXPEDIÇÃO :

Hipotermia

A temperatura da água em Glacier Bay é somente alguns graus acima de zero. Virar o caiaque era um grande risco de hipotermia. Remávamos próximos um dos outros, e tomamos muito cuidado. As roupas utilizadas eram de materiais hidrofóbicos que isolam o calor mesmo molhadas. Leia mais em hypothermia.org.

Ursos

Em Glacier Bay, não há ursos polares, que todos associam quando pensam em Alaska. No sudeste do Alaska se encontram somente o urso marrom e o urso negro. Uma outra espécie, o urso azul, ou glacial, é raríssimo e poucas vezes fotografado ou capturado. Por ser uma região protegida, a caça é proibida. Como os ursos não tem predadores naturais, estão no topo da cadeia alimentar, confortavelmente não ameaçados. Os ursos em Glacier Bay não temem o homem, são extremamente curiosos, e territoriais. Pela topografia do local, formada por praias cercadas pela cadeia de montanhas costais mais alta do mundo, o Fairweather Range, o espaço para os ursos é limitado, o que torna conflitos mais comuns e perigosos. Um dos principais riscos da viagem era o confronto com o famoso Grizzly bear, (ursus horribilus), o urso marrom que tem cerca de 600 quilos, nada, sobe em árvores, corre a 60km por hora e chega a medir 3 metros quando esta de pé. A única certeza sobre o comportamento dos ursos é que são imprevisíveis. O cuidado era constante, desde não se afastar da equipe desacompanhado, não comer fora dos limites estabelecidos em cada acampamento, até não utilizar produtos com odores. Quando caminhávamos em trilhas de ursos, era importante emitir ruídos e sons que denunciassem nossa presença, para não surpreender um urso, o que geralmente causa um ataque. Atenção especial era dada a filhotes de urso, extremamente curiosos e frequentemente causadores de ataques pela fêmea, que visa diminuir o potencial de ameaça aos seus filhotes. Armas de fogo são proibidas no parque, então contávamos somente com Pepper Spray, um concentrado de pimenta a ser utilizado em caso de aproximação excessiva por um urso mais curioso. Marcas da presença dos ursos estavam em toda a parte. Árvores destruídas, fezes, e pegadas eram comuns. No segundo dia de acampamento, ao sair da barraca pela manhã, Toco Lenzi avistou (e foi avistado simultaneamente) um urso negro, a uma centena de metros de distância das nossas barracas. Curiosamente, o urso entrou no mar, contornou nosso acampamento nadando rapidamente a uma boa distância da costa, saiu do outro lado, entrou na mata e desapareceu. Alívio geral. Para fotografar os ursos com segurança, utilizamos lentes de até 800 milimetros. Enquanto remávamos, frequentemente avistamos focas, lobos marinhos, águias americanas, e inúmeras espécies de aves aquáticas. Os mosquitos eram vorazes. Baleias se reproduzem no local.

Geleiras

O planeta é coberto por dez por cento de gelo, a mesma porcentagem utilizada pela agricultura. Geleiras e gelo polar contem mais água que todos os rios, lagos, e atmosfera terrestre combinados. As geleiras são formadas quando o acúmulo de neve é maior do que o seu derretimento. Os flocos de neve são comprimidos, virando granulos de gelo. Estes, sob a força da gravidade viram gelo compacto. Este gelo, com seu próprio peso, desce em direção ao mar, e sob a ação da maré e da força da gravidade despenca espetacularmente sobre o mar. Assim são formados icebergs, que podem durar mais de uma semana. Icebergs eram um risco para nossos caiaques. Com noventa por cento de sua área submersa, podem rachar e virar a qualquer momento. As cores variam do branco (icebergs com bolhas de ar), azul (gelo mais denso), verde bem escuro (gelo da parte inferior da geleira), até icebergs quase negros (carregando pedras e terra do fundo da geleira). O risco para os caiaques é grande. Blocos de gelo do tamanho de prédios despencam a qualquer hora e inesperadamente, formando ondas que podem virar os caiaques e inundar áreas expostas. As marés transformam a paisagem diariamente, decorando com icebergs e gelo a costa recortada da baía.

 

 

Mídía

A Expedição foi dividida em duas etapas. A primeira, de uma semana, seria a exploração do braço leste de Glacier Bay durante uma semana, somente para os quatro integrantes da equipe. Na segunda parte, uma equipe de televisão documentaria o restante da viagem. Contamos com o privilégio da presença de Hermano Henning e Paulo Bulhões, repórter e cameraman do programa SBT Repórter, que encararam uma semana de remadas conosco no braço oeste de Glacier Bay.

Como parte do planejamento de mídia da Expedição, além do programa na TV, participamos de inúmeras entrevistas em rádio, e outros programas de TV, além de realizar uma coletiva de imprensa após a nossa chegada em SP.

O resultado foram diversas reportagens em vários veículos, como : Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, revista Offshore, revista Venice, Trip, e uma exposição fotográfica no Espaço Cultural Citibank.

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