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A
solução envolveu humildade de parte a parte. Caio
e Patricia resolveram tomar contato com a cultura dos Guarani,
no lugar de impor uma solução. Os índios,
por sua vez, entenderam que havia um problema e mostraram disposição
para solucioná-lo. Duas pessoas foram fundamentais para
estabelecer os contatos e encaminhar o diálogo: a irmã
Luizinha, uma freira que trabalha na comunidade; e um jornalista,
Sérgio Mafra, que se mudou para a aldeia há dois
anos e desenvolve trabalhos comunitários com os índios.
Caio e Patricia também procuraram livros e artigos e
consultaram estudiosos do assunto.
Para Caio, a cuidadosa preparação e o período
dedicado à reflexão, antes da ação,
foram essenciais. "Precisamos recuperar um pouco da arte
da reflexão", ele diz. "Um dos grandes problemas
do país é que costumamos tomar atitudes e resolver
problemas que saltam aos olhos sem pensar antes e sem ter dados
suficientes", acrescenta. "É claro que é
interessante agir e não podemos analisar, olhar e não
fazer nada. Mas, sem embasamento, não há segurança,
audácia e possibilidade de defesa de nosso ponto de vista.
Também é fundamental estar sempre aberto a críticas
e ouvir opiniões divergentes."
O trabalho com relação ao lixo começou
depois que os jovens já eram aceitos pelos índios
e tinham conquistado a confiança de um líder da
aldeia. Os jovens levavam sacos para recolher o lixo jogado
em volta das casas. Calculam que só no primeiro dia de
trabalho foi recolhida uma tonelada de resíduos. O esforço
concentrado durou seis meses. A cada 15 dias, os jovens apanhavam
o lixo recolhido e levavam mais sacos para a aldeia. Hoje, com
a situação estabilizada, os Guarani colocam seu
lixo em embalagens apropriadas, usando principalmente as sacolas
de compras fornecidas pelos supermercados.
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