Apesar da beleza do local
e de seus habitantes, o
lixo se acumulava em
volta das casas: um
problema que surgiu do
contato com a cultura
branca e seus bens de
consumo.

"Somos Ubatuba" quer
agora ampliar seu campo
de atuação e está
desenvolvendo um plano
experimental de
gerenciamento de
resíduos sólidos para
todo o município

tecidos tradicionais

 

Um outro setor que está sendo investigado pela ONG é o resgate da maneira tradicional de tecer e costurar dos Guarani. Ela envolve tramas e tecidos com desenhos tradicionais, alguns dos quais remontam a muito tempo antes da chegada dos portugueses ao Brasil. Os conhecimentos sobre o assunto estão sendo recolhidos em conversas com os índios mais velhos e em outras aldeias guarani. Quando estiverem à disposição, os índios poderão usar os métodos tradicionais na feitura de tecidos e roupas para a aldeia e para venda a turistas, gerando renda para a comunidade.


Além dos trabalhos desenvolvidos com os Guarani, a ONG tem preocupações mais amplas para Ubatuba como um todo. Um de seus objetivos é estimular e capacitar os cidadãos para participarem efetivamente no processo de tomada de decisões em relação ao destino do desenvolvimento do município, naquilo que puder afetar direta ou indiretamente o meio ambiente, o patrimônio histórico-cultural e os direitos dos habitantes tradicionais da região.


É nesse contexto, de um caráter mais autônomo e não dependente de decisões governamentais, que a "Somos Ubatuba" está criando um plano experimental de gerenciamento de resíduos sólidos para o município. Caio explica que a associação não pretende substituir a Prefeitura, mas quer ajudar as pessoas a tomarem conta de seu lixo de modo mais adequado. Para isso, a ONG pretende captar a atenção da população, seja através de um sistema de gestão ambiental, que já está em andamento em uma escola da região, seja através de palestras e de pesquisas em que os cidadãos se comprometam a participar do plano experimental.


Usando o sistema de gestão ambiental já em curso na escola, Caio diz que a ONG espera alcançar os pais e professores interessados no assunto. Se o sistema tiver sucesso nessa escola, ele acredita que outras instituições de ensino se interessarão pela gestão ambiental. A idéia é pesquisar e atuar, multiplicando essas ações, para que associações de bairro, de mergulhadores e outros interessados em potencial se envolvam no plano. "Pensamos, estudamos, começamos a trabalhar e vamos verificar se os resultados obtidos serão os esperados", ele diz.

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