O fotógrafo sérvio Boogie abre janelas para mundos que a maioria de nós desconhece.

Entrevista © Lost Art

 

 

Qual é a pergunta mais frequente nas suas entrevistas?


Geralmente as pessoas me perguntam como eu consegui me aproximar o suficiente para fotografar membros de gangues e viciados em drogas. Também me perguntam a mesma coisa sobre skinheads nazistas.


 


Você ganhou o seu green card na loteria. Conte-nos como isso aconteceu.


Eu nunca planejei sair do meu país. Tudo aconteceu por acaso. Uma noite eu estava bebendo com os meus amigos e todos nós entramos na loteria do green card-não sei de onde surgiu a idéia. Eu fui o único a ganhar, e aqui estou.

 

 


Como você aborda os seus fotografados? Pelas imagens temos a impressão de que a maioria não desejaria ser fotografada.


Não há uma receita para isso. Eu acho que deve ter algo a ver com a minha personalidade. Eu acho que o mais importante é que eu não julgo os meus fotografados, e eu acho que eles podem sentir isso. Provavelmente é por isso que confiam em mim.

Também, o projeto das gangues e dos viciados não foi planejado, rolou por acidente-eu nunca planejei isso. Eu não acho que você pode planejar projetos assim. Você ficaria surpreso quantas vezes pessoas me pediam para fotografá-las enquanto injetavam drogas ou exibiam suas armas. Eu penso que muitas destas pessoas estão conscientes de que não estarão aqui por muito tempo, é uma maneira deles serem lembrados


Você fica em contato com as pessoas que fotografa (depois de fotografa-los)? Você os dá ampliações fotográficas?


As vezes fico em contato. Novamente, não há regras. Eu geralmente não dou ampliações para quem fotografo, mas dei cópias para alguns membros de gangues quando “It’s All Good” foi publicado, e eles amaram.


O que o motiva a fotografar? O que o inspira?


Eu faço porque tenho que fazê-lo ou eu morreria. Eu apenas sigo o meu coração. O que me inspira muda a toda hora. Agora estou inspirado pela vida normal cotidiana. Eu tiro muitas fotos de pássaros e cães, árvores, sombras… mas isso evolui o tempo todo e ai está a beleza.

 

Habilidade social é mais importante do que técnica?


Eu acho que ambos são igualmente importantes no tipo de fotografia que eu faço, que é documentária.

 
 
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