Adoramos viajar pela Bolívia. A altitude, a paisagem, o povo, e as grandes roubadas. Nada pior do que uma viagem onde tudo ocorre como o planejado...  
   
Após passar uma semana no deserto do Atacama, no Chile, subimos de volta em direção a Uyuni, no sudoeste Boliviano. Era o fim da Expedição Bike Uyuni. Queriamos voltar para La Paz via Potosi. Compramos os bilhetes de onibus, e esperamos. O ônibus iestava carregado de contrabando da Argentina. Partimos. Andamos um pouco, e o ônibus parou novamente. Estava sem gasolina. Fomos abastecer. O motorista parecia ter uns dezesseis anos.

 

Após uma hora de bacolejo o onibus quebrou. As chollas desceram e começaram a improvisar um acampamento, resignadas a passar a noite no deserto. Nós não estavamos muito a fim. Paramos um caminhão, o único que passou. Por coincidência, era o caminhão tanque que havia abastecido o posto de Uyuni com o diesel que o onibus havia usado. Ia para Potosi. As chollas tentaram convencer o motorista a deixa-las ir conosco, mas o motorista liberou solo para los gringos.

Iamos espremidos entre o mecanico do caminhão e o motorista. A estrada era uma piada. O motorista, José, optou por uma trilha paralela. De areia. Obviamente, atolamos, com um caminhão tanque. O mecânico e o motorista estavam preparados, e enfiavam umas toras embaixo dos pneus carecas. Em vão. O caminhão não saia do lugar, e logo estavamos todos cobertos de areia.

 

 

 

Peguei o canivete suiço do Ig e comecei a cortar os arbustos secos em volta do caminhão. Cortei por mais de meia hora junto com o Ig. Forramos o chão debaixo do caminhão com os arbustos e galhos cortados. Deu certo, conseguimos sair da areia. Andamos duzentos metros e um ruido de metal moendo metal saiu da caixa de câmbio. Paramos novamente. Acabamos chegando em Potosi, à noite, apos várias outras paradas por motivos "técnicos". Para viajar pela Bolívia, o ideal é não ter pressa.

 

 

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