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Qual
é a pergunta mais frequente em suas entrevistas?
Geralmente me perguntam qual é o lugar mais perigoso do mundo,
ou onde tive mais medo. Jornalistas sempre querem ir direto ao extremo,
ou "mais radical" para evitar as perguntas básicas
que os fariam entender melhor as situações. O lugar mais
perigoso que eu estive foi em Grozny (Chechênia), com os rebeldes
durante o bombardeio russo. Observadores contaram sete mil impactos
de bombas por hora (Stalingrado teve 6000 e é uma cidade muito
maior). Essa é, portanto, a única medida quantitativa
do perigo que encontrei.
De
que maneira o fato de você ter freqüentado a St. Johns
(escola para meninos considerada a mais dura da América) influenciou
ou ajudou seu futuro e sua carreira?
Ensinou-me que as dificuldades fazem parte do dia a dia e que não
há limites para o aprendizado e/ou crescimento.
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Ser
casado e ter uma família esperando em casa seriam a "combinação
ideal de proteção" para as viagens a lugares
perigosos?
Sem
uma vida normal eu acho que seria considerado anormal. Acho que
essa é uma das razões pela qual posso ser tão
racional e quem sabe até pensativo em zonas de guerra.
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Como
a sorte o tem te ajudado a permanecer vivo? Em Uganda, após sobreviver
a um atentado a bomba que explodiu onde você estava minutos antes,
você acredita que "algo" o fez levantar e sair dali
ou você atribui isso "simplesmente" à sorte?
Quanto disto é uma espécie de instinto e esse sentimento
é algo em que você aprendeu a confiar?
A sorte é algo intangível mas uma realidade estatística.
Você não pode chamar de sorte ser o alvo de um atentado
a bomba (se eu tivesse ganho na loteria poderia ser!). Também
penso que você acaba desenvolvendo um instinto relativo à
natureza humana e consegue perceber quando há algo errado. É
claro que você só tem direito a um erro.
Antes das viagens perigosas, você trabalhou com marketing.
Você esteve envolvido no lançamento do Macintosh?
Eu trabalhei como designer e produtor para empresas de multimídia
que faziam lançamentos de produtos. Primeiramente, a Apple nos
contratou para lançar o Lisa, sendo que após a minha mudança
de empresa a Apple me contratou para trabalhar no lançamento
do Macintosh. Eu trabalhei diretamente com Steve Jobs e a equipe da
Apple, mas obviamente não posso levar crédito pelo hardware
ou pelos conceitos. Jobs e eu somos muito parecidos em temperamento,
idade e visão do mundo, então batíamos cabeças
gentilmente.
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